Bridgerton libera teaser durante evento de fãs no Valentine’s Day!

Estamos em choque após o evento para fãs de Bridgerton realizado pela Netflix nesta segunda-feira, 14 de fevereiro, Valentine’s Day no exterior. Com a participação de Julia Quinn, Simone Ashley, Charitra Chandran, Nicola Coughlan e uma aparição de Golda Rosheuvel, o evento durou 1 hora e trouxe cenas exclusivas da segunda temporada, bem como o teaser no final.

Veja o vídeo e, abaixo, alguns pontos interessantes do encontro:

O evento começou com Julia Quinn falando sobre suas expectativas para a segunda temporada, e como foi a recepção da estreia da primeira. “Eu sabia que seria um sucesso, mas não imaginava que seria deste tamanho. Isso fez minha cabeça explodir!”

Julia também garantiu que o Pall Mall foi uma exigência dela, que se não houvesse aquela cena eles poderiam esquecer a consultoria dela. ISSO AÍ! E falando em Pall Mall, Simone Ashley comentou que essa sequência foi uma das mais divertidas de gravar, pois tomou muito tempo. Foram cerca de seis semanas em locações para gravar diversas partes dessa cena, que é uma das favoritas dela.

Ela e Charitra Chandran, que interpretam Kate e Edwina Sharma (Sheffield nos livros), contaram que Jonathan Bailey foi o cara mais incrível com ambas, mostrando o quão perfeito ele é para ser nosso Anthony. “Antes da minha leitura de química com Jonny, ele me mandou uma mensagem no Instagram dizendo para eu não me preocupar, que ele estava animado por mim, que tudo iria dar certo, pra eu ir tranquila que seria muito legal. E foi, ele é um amor, e isso só mostra sobre o caráter dele, mandar uma mensagem pra uma atriz assim, foi muito fofo!”, contou Charitra.

De fato, entrar em uma série com tantos atores já familiarizados pode ser um desafio. Mas, elas contaram que todos as receberam de braços abertos e que o clima de família é permeado por todo o elenco e equipe. “Existia um clima de intimidade, de família, que nos ajudou muito a se sentir em casa”, conta Simone.

E falando nela, a patroa da S2, Simone contou que uma das coisas que ela mais gosta em Kate é essa proteção que ela dá aqueles que ela ama, como Edwina. “Ela coloca a necessidade dos outros acima das suas, mas gosta de quebrar algumas regras, ela não leva desaforo pra casa e isso já a colocou em alguns apuros”. Imagina, Srta Sharma!! O Visconde merece!

Uma das cenas apresentadas foi entre as duas, que mostra a família Sharma entrando no baile de Lady Danbury, o primeiro baile da temporada. Kate está reconfortando Edwina, para que ela se lembre de respirar e fique calma. A cena mostra também Lady Danbury atacando de casamenteira novamente, mostrando os cavalheiros elegíveis para Mary Sharma. Kate, preocupada com os interesses da irmã, entra na conversa perguntando sobre outro cavalheiro, que parece muito bem quisto pelo Debretts (livro que registrava tudo sobre uma família aristocrática). Porém, Lady Danbury dá um corte bem danburesco nela, dizendo que o cara vive exibindo a amante pela cidade, que Kate pode confiar em Lady D para ajudar a navegar o mar da sociedade. Essa cena foi gravada no Syon Park, e a música de fundo é nada menos do que uma versão clássica de Material Girl, da Madonna.

Nicola Coughlan entrou em seguida para falar da nossa fofoqueira favorita! Lady Whistledown vai mostrar mais as garras nesta temporada e nós vamos poder ver toda a parte de confecção do Whistledown, como Penelope está criando tudo isso, como ela consegue as fofocas, todo o submundo da fofoca de Londres. “Ela esta confiante, ela tem mais coragem que todos, e ela consegue puxar as cordas e fazer as coisas acontecerem. Mas, as coisas ficam mais difíceis com Eloise na cola dela”, comenta Nicola, lembrando que nesta temporada social, Eloise faz o seu debut, ficando mais colada na amiga nos bailes e impedindo nossa fofoqueira de fazer sua apuração. “Eu, Nicola, amei ter tantas cenas com Claudia Jessie, mas acho que Penelope não gostou tanto”, afirmou entre risos. A cena apresentada um pouco antes dela entrar na sala foi de Peneloise, ambas no jardim de alguma festa (Lady Danbury?) em que Eloise está lamentando não ser igual à Daphne e o peso que a expectativa de todos traz para ela. Penelope fica surpresa, pois não imaginava que houvesse esse lado. Elas ainda brincam que deve ser por isso que Cressida é tão má, no que Penelope prontamente responde: “Não, é porque ela usa o cabelo apertado demais”.

Durante a participação de Nicola, tivemos uma grata surpresa! Golda Rosheuvel, a Rainha Charlotte, apareceu no evento e nós tivemos a oportunidade de ver novamente a cena apresentada no Graham Norton Show, na semana passada. Na cena, a Rainha está comentando que a cidade está parada e que Lady Whistledown sumiu. Golda também comentou que nesta temporada veremos mais sobre a relação entre Charlotte e o Rei George III, que já estava afastado por causa de sua doença. “Eles se amavam muito, no mundo real tiveram 15 filhos, então é importante ver esse lado vulnerável da Rainha, quem ela é fora dos bailes e do mundo glamuroso. Eu acho que isso é o que mais me faz gostar da personagem, pois a torna muito mais tridimensional. Ela não é apenas a figura pública, e olhar para a vida privada dela é uma grande oportunidade de enriquecer o personagem”, completa Golda.

E se a competição entre Lady Whistledown e Rainha Charlotte ficará mais acirrada essa temporada? Com certeza! “Existe algo que a incomoda com a perspectiva de Lady Whistledown a tirar do topo. A Rainha era até então a mulher mais poderosa, e ter outra pessoa que também pode exercer esse poder a assusta.”

Na hora das perguntas, duas fãs brasileiras conseguiram tirar um spoilerzinho de Charitra, nossa atiçadora de fandom! Ela falou que a sua cena favorita é uma do episódio 5 em que um personagem muito sério fica molhado. Anthony caindo no lago após (ou durante) o Pall Mall vem aí? Queremos!

Após o evento, Chris Van Dusen, produtor executivo da série (que deixará o posto após a S2), compartilhou o poster da nova temporada que tem tudo aquilo que a gente mais ama: Kathony, taco da morte e a abelha! Ah, e Aubrey Hall, claro! A locação (uma delas, pelo menos) para a casa ancestral Bridgerton será Wrotham Park.

Ainda estamos destrinchando tudo sobre o teaser, todas as cenas incríveis e ultra rápidas, mas já estamos aqui com o lencinho apenas com dois vislumbres de Edmund Bridgerton. Acompanhe tudo na página Julia Quinn Brasil, que vamos ter mais posts sobre o teaser!

Baixe o Calendário Bridgerton 2022

2022 chegou e a cada dia ficamos mais perto da estreia de Bridgerton! Para começar o ano com o pé direito, lançamos a terceira edição do Calendário Bridgerton. Este ano as fotos foram mais difíceis, já que contamos apenas com algumas poucas imagens que a Netflix liberou e os cliques difusos de paparazzis. Saudades turistas em Bath ❤ Quem sabe atualizamos o documento quando novas imagens oficiais saírem.

Para baixar, é só escolher o modelo e clicar no link. Há duas opções: uma para imprimir em casa e outra para imprimir em gráfica, com as marcas de corte. Aproveitem e feliz 2022!

Calendário para imprimir em casa

Calendário para imprimir na gráfica

Vale lembrar que o Calendário Bridgerton é feito por fãs e para fãs e sua venda é expressamente proibida.

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Bridgerton anuncia data da segunda temporada no aniversário de estreia da s1

Feliz Natal, abelinhas! Temos data de estreia!! Que Natal glorioso, perdendo apenas para o de 2020, já que foi quando Bridgerton estreou na Netflix. Mas, para comemorar um ano desse evento inesquecível, Shondaland e Netflix apareceram para nos presentear com a data de estreia da segunda temporada: 25 de março!

O anúncio foi feito pontualmente ao meio-dia (horário de Brasília) e esta que vos fala estava exatamente acordando com os sinos da igreja batendo, peguei o celular e vi a notificação da página oficial e foi isso. O resto foi apenas surto, gritaria, maluquice e muitas boas decisões tomadas!

Além disso, a imprensa recebeu a sinopse oficial da história de Anthony Bridgerton e Kate Sharma. Confira abaixo:

“Impulsionado por seu dever de defender o nome da família, a busca de Anthony por uma debutante que atenda a seus padrões impossíveis parece malfadada até que Kate (Simone Ashley) e sua irmã mais nova Edwina (Charithra Chandran) Sharma chegam da Índia.  

Quando Anthony começa a cortejar Edwina, Kate descobre a verdadeira natureza de suas intenções – um casamento verdadeiro não está no topo de sua lista de prioridades – e decide fazer tudo ao seu alcance para impedir a união. Mas, ao fazer isso, as lutas verbais de Kate e Anthony apenas os aproximam, complicando as coisas de ambos os lados.  

Do outro lado da Grosvenor Square, os Featheringtons devem dar as boas-vindas ao mais novo herdeiro de sua propriedade, enquanto Penelope (Nicola Coughlan) continua a navegar pela alta sociedade, enquanto mantém seu segredo mais profundo das pessoas mais próximas a ela.” 

Como eu estou muito sumida por aqui (trabalho enlouquecendo a pessoa) vou aproveitar para colocar as fotos e o teaser que tivemos em 25 de setembro (25 claramente é nosso dia).

Faltam três meses para podermos surtar de vez! Vem segunda temporada, vem Anthony, vem Kate! Queremos mais!

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Chris Van Dusen e a criação de Bridgerton

A temporada pré-Emmy está entre nós e é bem comum que diversas reportagens sobre as séries concorrentes saiam neste período para relembrar os membros da Academia de Artes & Ciências Televisivas do quão maravilhosa é o produto que está concorrendo. Com Bridgerton não está sendo diferente e, apesar de muitas entrevistas trazerem mais do mesmo (é claro, para nós que respiramos Bridgerton por 365 dias do ano), alguns materiais trazem muita surpresa. É o caso deste texto, uma tradução da coluna que Chris Van Dusen escreveu como convidado no The Hollywood Reporter, no qual Chris fala sobre seu processo de criação de Bridgerton e de todo o fantástico mundo inclusivo criado por ele e a equipe de Shondaland.

Uma coisa que me chamou atenção foi o fato dele ter tido a ideia de colocar a Rainha Charlotte na série após uma visita à Wilton House, locação principal da Buckingham House, residência de nossa Lottinha. Eu amei a descrição dela: Parte Realeza, Parte Beyoncé. Essa ideia permeou toda a criação da série e se reflete nesse produto inclusivo, que muitos podem torcer o nariz com a famigerada fidelidade histórica, mas que se tornou a maior série da Netflix por mostrar que todos, TODOS, podem ter sua fantasia de época, podem se sentir a própria heroína (ou herói) Austeniana.

Quem acompanha este blog sabe que dediquei os últimos dois anos à essa série e lembro de ter visto muitos figurantes dos mais diversos tons de pele nos stories (Saudades gravações da s1) com roupas finas e ocupando lugares de destaque na sociedade. Uma reportagem da época que me marcou muito até relatou o comentário de um figurante preto, que estava achando a experiência de ser um lorde muito diferente do que geralmente ele interpretava em produções de época, ou seja, serviçais.

Bridgerton chegou e colocou o gênero de série de épocas de cabeça pra baixo, ou quem sabe, começou a endireitar as coisas. Fato é que a indústria precisava muito disso, desse chacoalhão. E os números (de exibições, de indicações, engajamento do fandom) só reforçam isso. Que venham os Emmys que nós tanto pedimos!

BRIDGERTON (L to R) Executive Producer CHRIS VAN DUSSEN and Director ALRICK RILEY in episode 107 of BRIDGERTON Cr. LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Leia a tradução da coluna especial de Chris Van Dusen no The Hollywood Reporter

*Destaques negritos são meus

“No início deste ano, a Netflix anunciou que Bridgerton, um programa que criei e dirigi, foi a maior estreia da gigante de streaming de todos os tempos. Fiquei pasmo. Como poderia esta peça do período regencial, que consumiu a maior parte dos últimos três anos da minha vida, estar capturando o zeitgeist (espírito da época) de uma forma tão grande? Estou convencido de que isso se deve em grande parte ao mundo intencionalmente inclusivo do programa – onde cada espectador, não importa quem seja, pode se ver na tela. Um mundo que não é color-blind, como alguns sugeriram, mas que tem consciência das cores.

Minha proposta para Bridgerton foi direta: eu queria virar o gênero de época de cabeça para baixo e reimaginá-lo de uma maneira nova e empolgante. Um que incluía personagens de diferentes cores e origens. Um que explorou o tema raça. Queria que existissem gays neste mundo. Eu queria expandir todo este universo. Portanto, criei um mundo do período regencial multiétnico e multicolorido, tão diverso quanto aquele em que vivemos hoje. Meu show seria sobre amor. Alegria. Triunfo. Seria um show que diria que todos são dignos e merecedores de todas essas coisas e muito mais.

Parecia realmente adorável, é claro. Mas como eu realmente faria isso levaria algum tempo.

As séries ou filmes de época que eu tinha visto pareciam iguais. Claro, você localizaria uma pessoa não-branca ocasionalmente – mas geralmente no fundo, servindo comida ou ajudando alguma jovem de pele de porcelana a se vestir. Certamente não como personagens principais. Certamente não tendo seu próprio final feliz. O material de origem de Bridgerton, embora uma leitura rica e deliciosa, era como sempre sobre pessoas de pele clara e olhos azuis penetrantes. Raça, como descrição e assunto, nunca foi mencionada.

Em 2018, visitei a Wilton House em Wiltshire, na Inglaterra. De pé, sozinho na opulenta sala do Cubo Duplo, fiquei impressionado com sua imponência. Foi nesse momento que eu soube que tinha que ter um componente de realeza neste show. E então criei o personagem da Rainha Charlotte. Parte realeza, parte Beyoncé, uma criação original, não está nos livros. Eu estava ciente das teorias históricas da real ancestralidade africana da rainha Charlotte. Ela era, argumentam alguns historiadores, descendente de um ramo negro da família real portuguesa, a primeira rainha não-branca da Inglaterra. Foi revolucionário – não apenas como uma teoria real e histórica, mas também como base para o show. Foi assim que me decidi a começar toda a série. Nesse quarto. Com nossa heroína Daphne sendo apresentada à rainha, a pessoa mais poderosa deste mundo, uma mulher negra.

A construção para este mundo nasceu. Isso significava que a cor da sua pele não determinaria se você era nascido nobre ou inferior. Isso significava que lordes e damas, viúvas e duques, de todas as cores e origens diferentes, poderiam existir neste mundo. Este não seria um mundo colour-blind. Esses personagens não-brancos que o público veria e se relacionaria na tela eram reais.

Meu objetivo de reinventar o drama de época através de lentes com consciência das cores estava tomando forma. Mas então vários membros do meu elenco brilhante sugeriram que eu fizesse mais. Foi então que aconteceu uma das colaborações mais inesperadas e gratificantes da minha carreira.

O que se seguiu foi um dos dias mais pungentes e transformadores que tive durante a produção desta série. Junto com cada ator não-brancos do show em uma sala, eu pude ouvir tudo o que todos tinham a dizer durante uma longa tarde de chá e outras coisas boas inglesas. Meu trabalho era simplesmente sentar, ouvir e aprender. Foi emocional, poderoso e completamente necessário.

Muitos dos presentes sentiram que o show poderia ir mais longe em termos de exploração da raça. O show, eles concordaram, já era tão belamente eloqüente quando se olhava para coisas como classe, gênero e sexualidade. Mas não poderia haver também um reconhecimento de cor na tela?

A pergunta me deixou humilde. Eles estavam certos. Poderíamos fazer ainda mais para virar o gênero de cabeça para baixo e cavar ainda mais fundo nas histórias dos personagens que o programa pretendia incluir. Então, as coisas que meu elenco falou comigo naquele dia encontraram seu caminho para os roteiros. Nas histórias de fundo dos personagens. Para o próprio mundo. Como diz Lady Danbury: “Éramos duas sociedades separadas, divididas por cor, até que um rei se apaixonou por um de nós”.

BRIDGERTON Director JULIE ANNE ROBINSON and Executive Producer CHRIS VAN DUSSEN in episode 10Pre of BRIDGERTON Cr. LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Os envolvidos com a TV sabem como é um processo surreal. Centenas de algumas das pessoas mais trabalhadoras que você já conheceu são reunidas e, de alguma forma, uma obra de arte viva, viva e comovente, nasce magicamente. Para a pessoa que supervisiona tudo, é assustador. Mas também profundamente gratificante. Especialmente quando seus atores se sentem confortáveis ​​o suficiente para vir até você com o que realmente estão em suas mentes.

O espetáculo não seria o que é hoje se aquela tarde profundamente colaborativa com meu elenco não tivesse acontecido. Posso dizer com veemência que Bridgerton – com todas as suas cores, beleza, amor, alegria e triunfo – ficou ainda melhor por causa disso. E agora, posso levar essa experiência colaborativa preciosa comigo para a segunda temporada, e o que vem a seguir para mim também.”

Leia a coluna original aqui.


Chris, se por acaso você estiver lendo este humilde blog, obrigada por não ter medo, obrigada por colocar seu coração nisso, se doar tanto para criar esse mundo incrível, obrigada por transformar o que achávamos que deveria ser uma série de época. Obrigada por pegar os livros que amamos tanto e elevá-los a outro patamar.

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Sanditon é renovada para segunda e terceira temporadas!

Se você gostou de Bridgerton (pergunta retórica), ficou sedenta por mais do mundo regencial e ainda não assistiu Sanditon, não sabe o que está perdendo! A série está disponível na Globoplay e vale cada segundo!

Lançada em 2019, Sanditon é baseada em um livro inacabado de Jane Austen, adaptado por Andrew Davies, mas ficou sem confirmação de continuação durante quase dois anos! Inclusive, a primeira notícia é de que a série não teria continuidade. Porém, na quinta-feira, 6, foi anunciada a renovação não só para a segunda temporada, como também para a terceira. Os fãs foram ao delírio!

Mas, como tudo que é bom dura pouco, na sexta-feira recebemos um balde de água fria. Theo James, que interpreta Sidney Parker, não voltará para as próximas temporadas. Mas, não é só isso! O que realmente surpreendeu muitas de nós foi a declaração do ator, postada na conta oficial da MASTERPIECE | PBS, de que a história teve um final satisfatório para ele:

“Embora eu tenha amado interpretar Sidney, para mim, sempre mantive que a jornada dele terminou como eu gostaria. O tipo de final de conto de fadas quebrado entre Charlotte e Sidney é diferente, único e muito interessante para mim e eu desejo todo o sucesso para o elenco e equipe de Sanditon com a futura série.”

Eu particularmente não gostei do final, mas vou tentar não dar muitos spoilers. Mas, primeiro, vamos falar do fantástico mundo de Sanditon.

Sanditon, um paraíso em construção

A história se passa na cidade fictícia de Sanditon, um balneário litorâneo que almeja ser a nova Brighton, capitaneada pelo sonhador Tom Parker (Kris Marshall) e com altos investimentos de Lady Denham (Anne Reid), uma matrona que me lembrou muito Lady Danbury.

A heroína é Charlotte Heywood (Rose Williams), uma mocinha do campo que ajudou Tom e sua esposa após um acidente. Como era bem comum naquela época, famílias com muitos filhos contavam com a bondade de parentes (ou amigos) para levar suas filhas em passeios desse tipo ou para a apresentação em sociedade. Lembram que Elizabeth Bennet vai viajar com os tios e acaba passando em Pemberley? Mesma situação. Charlotte aproveita com unhas e dentes a oportunidade de sair de seu pequeno vilarejo e conhecer algo novo.

Mas, na hora de falar sobre o mocinho fica difícil. Sidney Parker (Theo James) é o interesse romântico que associamos imediatamente a ela. Um cavalheiro da cidade, sofisticado, acostumado a andar nos altos escalões da sociedade (como bem visto pelo seu rol de amizades). Um perfeito homem de sua época, aquele canalha que primeiro detesta a mocinha e aos poucos vai amolecendo, com uma tensão sexual enorme entre os dois.

Só que aí entra o problema: temos o jovem Sr. Stringer (Leo Sutter) e se você pensar em um doce de homem, este é o sr. Stringer. Mestre de obras da cidade, ele sonha em ser arquiteto e dar uma vida melhor para o pai. Respeitoso, cuidadoso e com um sorriso de tremer as pernas, percebemos que a atração dele para com Charlotte é evidente, mas em momento algum ele ultrapassa os limites da civilidade, provavelmente acreditando ser inferior a ela.

É aquela velha escolha dos romances: aquele que pode te dar uma vida tranquila e um amor seguro versus o homem que faz o seu sangue ferver.

A história tem diversos núcleos paralelos, como a história dos Denham. Uma corrida de gato e rato pra ver quem vai herdar a fortuna Lady Denham, com a briga sendo boa entre Esther Denham (Charlotte Spencer), Sir Edward Denham (Jack Fox) e Clara Brereton (Lily Sacofsky), com muitas cenas de cair o queixo com a dissimulação geral dos três. Outro núcleo legal é o da herdeira Miss Lambe (Crystal Clarke), protegida de Sidney vinda diretamente das colônias britânicas no Caribe. Não lembro bem se é explicado com detalhes sobre como Sidney acabou sendo o guardião dela, mas um não gosta do outro e Miss Lambe procura confusão e rebeldia a cada esquina.

O que eu achei mais legal na série é como ela bebe fortemente, toma um porre, cai de bêbada, nos livros regenciais. Diversas tramas que vemos nesses livros foram muito bem abordadas na série, como o pretendente que continua a tentar conquistar a moça relutante, jogos de poder para ver quem ganha a fortuna da tia velha, mocinhas tiradas de seu amado e que fazem de tudo para ficarem juntos, entre outros. Apesar de tantos clichês (a gente ama um clichê, vai) a série envelopa tudo num formato muito legal, cheio de frescor, que ainda é Jane Austen, mas também é muito mais.

Bridgerton vs Sanditon

Não espere ver as roupas ultra coloridas ou os ambientes luxuosos de Bridgerton. No quesito visual, a série segue bem a estética Austeniana, com tom sóbrios e um plano de fundo mais rústico e bucólico, afinal, a cidade ainda está em construção. Porém, se você espera um romance casto como é o padrão tanto nos livros como nas adaptações de Austen, vai se surpreender. A série tem muitas cenas sensuais, com destaque para uma na sala de Lady Denham (quem já viu sabe do que estou falando, é puro fogo) e muita intriga e virada de jogo. A capa pode ser Jane Austen Classica, mas o espírito é totalmente Romance Regencial moderno. Um verdadeiro Regencial no Século 21!

Uma semelhança com Bridgerton é termos personagens negros em papéis de destaque. O mais legal é que isso está no manuscrito original. E você não vai ter coragem de chamar titia Austen de Lacradora né? Jane Austen retratava a sociedade da época, seus costumes, vícios e virtudes, e adivinha: existiam negros na Inglaterra! OMG! (contem ironia)

Como Regé-Jean Page, nosso Simon Basset, disse em uma entrevista muito antes de Bridgerton, quando falava sobre Roots, “As pessoas não-brancas têm dificuldade em colocar nossas histórias na tela em filmes que se passam atualmente, nem se fala nas produções de época, sabe? Você tem cem milhões de [filmes de] Jane Austen, mas vire a câmera 90 graus para a esquerda e ainda estamos lá”.

Sanditon não é o universo paralelo em que Bridgerton se passa, claro, e por isso o racismo está bem entranhado na história e sociedade de Sanditon. Porém, Miss Lambe dá na mesma velocidade que recebe, sendo uma personagem deliciosamente revoltada e respondona. E a atriz que a interpreta, Crystal Clarke, afirmou em seu Twitter que nas próximas temporadas teremos escritores negros na sala dos roteiristas. Vamos ver como a personagem vai se desenvolver, pois há muito potencial.

Parte da nossa suspeita para terem ressuscitado a série é o aumento da procura por outras produções que se passam na Era Regencial e Sanditon estava ali prontinha para receber os fãs sedentos. A série também chegou a novos mercados, como o próprio Brasil, e acho que os números incentivaram a PBS a reconsiderar o projeto.

E o final?

A primeira temporada acabou de um jeito que livro nenhum de Jane Austen acabaria, muito menos um romance de época, mas era a tentativa de deixar um gostinho de quero mais para descobrirmos o que aconteceria na segunda temporada.

Entretanto, com a saída de Theo James, fica um grande questionamento: a série irá por um caminho totalmente diferente ou irão substituir o ator? Isso era planejado desde o começo? Estávamos iludidas todo esse tempo?

Devemos lembrar que no mundo de Austen temos diversos casos em que dois personagens dividem a atenção da heroína, como Wickham e Darcy, Willoughby e Brandon, entre outros. Curiosamente, em uma entrevista, Andrew Davies cita que “na possibilidade de uma segunda temporada, vamos eventualmente dar a Charlotte o final que ela gostaria”. Não o final que Charlotte e Sidney merecem, mas o final que Charlotte gostaria. Faz a gente pensar se, como é praxe nos livros de Austen, o par romântico é, na verdade, o cara que ninguém dá muita bola.

A missão de criar esse final está com Andrew Davies, então, só nos resta esperar pra ver o que vai acontecer.

E você, já assistiu? Está feliz com a novidade? Ao que parece, as gravações ainda não começaram e não há previsão de estreia. Entretanto, só de saber que TEREMOS uma continuação eu já fico nas nuvens. Charlotte merece muito mais! #TeamStringer

Veja o trailer da primeira temporada:

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