Chris Van Dusen e a criação de Bridgerton

A temporada pré-Emmy está entre nós e é bem comum que diversas reportagens sobre as séries concorrentes saiam neste período para relembrar os membros da Academia de Artes & Ciências Televisivas do quão maravilhosa é o produto que está concorrendo. Com Bridgerton não está sendo diferente e, apesar de muitas entrevistas trazerem mais do mesmo (é claro, para nós que respiramos Bridgerton por 365 dias do ano), alguns materiais trazem muita surpresa. É o caso deste texto, uma tradução da coluna que Chris Van Dusen escreveu como convidado no The Hollywood Reporter, no qual Chris fala sobre seu processo de criação de Bridgerton e de todo o fantástico mundo inclusivo criado por ele e a equipe de Shondaland.

Uma coisa que me chamou atenção foi o fato dele ter tido a ideia de colocar a Rainha Charlotte na série após uma visita à Wilton House, locação principal da Buckingham House, residência de nossa Lottinha. Eu amei a descrição dela: Parte Realeza, Parte Beyoncé. Essa ideia permeou toda a criação da série e se reflete nesse produto inclusivo, que muitos podem torcer o nariz com a famigerada fidelidade histórica, mas que se tornou a maior série da Netflix por mostrar que todos, TODOS, podem ter sua fantasia de época, podem se sentir a própria heroína (ou herói) Austeniana.

Quem acompanha este blog sabe que dediquei os últimos dois anos à essa série e lembro de ter visto muitos figurantes dos mais diversos tons de pele nos stories (Saudades gravações da s1) com roupas finas e ocupando lugares de destaque na sociedade. Uma reportagem da época que me marcou muito até relatou o comentário de um figurante preto, que estava achando a experiência de ser um lorde muito diferente do que geralmente ele interpretava em produções de época, ou seja, serviçais.

Bridgerton chegou e colocou o gênero de série de épocas de cabeça pra baixo, ou quem sabe, começou a endireitar as coisas. Fato é que a indústria precisava muito disso, desse chacoalhão. E os números (de exibições, de indicações, engajamento do fandom) só reforçam isso. Que venham os Emmys que nós tanto pedimos!

BRIDGERTON (L to R) Executive Producer CHRIS VAN DUSSEN and Director ALRICK RILEY in episode 107 of BRIDGERTON Cr. LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Leia a tradução da coluna especial de Chris Van Dusen no The Hollywood Reporter

*Destaques negritos são meus

“No início deste ano, a Netflix anunciou que Bridgerton, um programa que criei e dirigi, foi a maior estreia da gigante de streaming de todos os tempos. Fiquei pasmo. Como poderia esta peça do período regencial, que consumiu a maior parte dos últimos três anos da minha vida, estar capturando o zeitgeist (espírito da época) de uma forma tão grande? Estou convencido de que isso se deve em grande parte ao mundo intencionalmente inclusivo do programa – onde cada espectador, não importa quem seja, pode se ver na tela. Um mundo que não é color-blind, como alguns sugeriram, mas que tem consciência das cores.

Minha proposta para Bridgerton foi direta: eu queria virar o gênero de época de cabeça para baixo e reimaginá-lo de uma maneira nova e empolgante. Um que incluía personagens de diferentes cores e origens. Um que explorou o tema raça. Queria que existissem gays neste mundo. Eu queria expandir todo este universo. Portanto, criei um mundo do período regencial multiétnico e multicolorido, tão diverso quanto aquele em que vivemos hoje. Meu show seria sobre amor. Alegria. Triunfo. Seria um show que diria que todos são dignos e merecedores de todas essas coisas e muito mais.

Parecia realmente adorável, é claro. Mas como eu realmente faria isso levaria algum tempo.

As séries ou filmes de época que eu tinha visto pareciam iguais. Claro, você localizaria uma pessoa não-branca ocasionalmente – mas geralmente no fundo, servindo comida ou ajudando alguma jovem de pele de porcelana a se vestir. Certamente não como personagens principais. Certamente não tendo seu próprio final feliz. O material de origem de Bridgerton, embora uma leitura rica e deliciosa, era como sempre sobre pessoas de pele clara e olhos azuis penetrantes. Raça, como descrição e assunto, nunca foi mencionada.

Em 2018, visitei a Wilton House em Wiltshire, na Inglaterra. De pé, sozinho na opulenta sala do Cubo Duplo, fiquei impressionado com sua imponência. Foi nesse momento que eu soube que tinha que ter um componente de realeza neste show. E então criei o personagem da Rainha Charlotte. Parte realeza, parte Beyoncé, uma criação original, não está nos livros. Eu estava ciente das teorias históricas da real ancestralidade africana da rainha Charlotte. Ela era, argumentam alguns historiadores, descendente de um ramo negro da família real portuguesa, a primeira rainha não-branca da Inglaterra. Foi revolucionário – não apenas como uma teoria real e histórica, mas também como base para o show. Foi assim que me decidi a começar toda a série. Nesse quarto. Com nossa heroína Daphne sendo apresentada à rainha, a pessoa mais poderosa deste mundo, uma mulher negra.

A construção para este mundo nasceu. Isso significava que a cor da sua pele não determinaria se você era nascido nobre ou inferior. Isso significava que lordes e damas, viúvas e duques, de todas as cores e origens diferentes, poderiam existir neste mundo. Este não seria um mundo colour-blind. Esses personagens não-brancos que o público veria e se relacionaria na tela eram reais.

Meu objetivo de reinventar o drama de época através de lentes com consciência das cores estava tomando forma. Mas então vários membros do meu elenco brilhante sugeriram que eu fizesse mais. Foi então que aconteceu uma das colaborações mais inesperadas e gratificantes da minha carreira.

O que se seguiu foi um dos dias mais pungentes e transformadores que tive durante a produção desta série. Junto com cada ator não-brancos do show em uma sala, eu pude ouvir tudo o que todos tinham a dizer durante uma longa tarde de chá e outras coisas boas inglesas. Meu trabalho era simplesmente sentar, ouvir e aprender. Foi emocional, poderoso e completamente necessário.

Muitos dos presentes sentiram que o show poderia ir mais longe em termos de exploração da raça. O show, eles concordaram, já era tão belamente eloqüente quando se olhava para coisas como classe, gênero e sexualidade. Mas não poderia haver também um reconhecimento de cor na tela?

A pergunta me deixou humilde. Eles estavam certos. Poderíamos fazer ainda mais para virar o gênero de cabeça para baixo e cavar ainda mais fundo nas histórias dos personagens que o programa pretendia incluir. Então, as coisas que meu elenco falou comigo naquele dia encontraram seu caminho para os roteiros. Nas histórias de fundo dos personagens. Para o próprio mundo. Como diz Lady Danbury: “Éramos duas sociedades separadas, divididas por cor, até que um rei se apaixonou por um de nós”.

BRIDGERTON Director JULIE ANNE ROBINSON and Executive Producer CHRIS VAN DUSSEN in episode 10Pre of BRIDGERTON Cr. LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Os envolvidos com a TV sabem como é um processo surreal. Centenas de algumas das pessoas mais trabalhadoras que você já conheceu são reunidas e, de alguma forma, uma obra de arte viva, viva e comovente, nasce magicamente. Para a pessoa que supervisiona tudo, é assustador. Mas também profundamente gratificante. Especialmente quando seus atores se sentem confortáveis ​​o suficiente para vir até você com o que realmente estão em suas mentes.

O espetáculo não seria o que é hoje se aquela tarde profundamente colaborativa com meu elenco não tivesse acontecido. Posso dizer com veemência que Bridgerton – com todas as suas cores, beleza, amor, alegria e triunfo – ficou ainda melhor por causa disso. E agora, posso levar essa experiência colaborativa preciosa comigo para a segunda temporada, e o que vem a seguir para mim também.”

Leia a coluna original aqui.


Chris, se por acaso você estiver lendo este humilde blog, obrigada por não ter medo, obrigada por colocar seu coração nisso, se doar tanto para criar esse mundo incrível, obrigada por transformar o que achávamos que deveria ser uma série de época. Obrigada por pegar os livros que amamos tanto e elevá-los a outro patamar.

Esse blog é parceiro da página Julia Quinn Brasil. Curta a página Julia Quinn Brasil no FacebookTwitter e Instagram para não perder nada!

Não se esqueça de curtir a página do Costurando o Verbo no Facebook e me siga no Twitter!

Bridgerton confirma 3 e 4 temporadas e Shondaland comenta reação do fandom à saída de Regé-Jean Page

E a semana começou do melhor modo possível para o fandom de Bridgerton! A série foi oficialmente renovada para a terceira e quarta temporada. Duas de uma vez, assim, sem nem estrear a segunda! As Benophie e Polin Stans respiram aliviadas, né? E, no mesmo dia, tivemos uma entrevista incrível de Shonda Rhimes e Betsy Beers à Vanity Fair comentando o sucesso, a renovação e a saída de Regé-Jean Page da série. A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.

A esta altura do campeonato, se você não vive em uma bolha, já sabe que o intérprete do nosso Duque de Hastings saiu de Bridgerton, provavelmente por conta de uma agenda lotada e restrições de covid-19 complicando a mudança rápida de um set para outro. Mas Palma Palma não priemos cânico! Como desconfiávamos, Shonda não passou a faca em Simon, ele não está morto. Inclusive, Shonda achou muito curiosa a reação (de parte) do fandom da série. “Fiquei muito chocada, porque geralmente isso acontece quando mato alguém que está por aí há um tempo. Tipo, nós não o matamos, ele ainda está vivo! [Regé-Jean] é um ator poderoso e incrível e isso significa que fizemos nosso trabalho – a cada temporada, nosso trabalho é encontrar as pessoas certas e montar esse incrível romance que muda o mundo. Não sei se esperava essa explosão, visto que cada livro [da série Bridgerton ] é um romance diferente. Qual seria o “felizes para sempre” desse par? Quero dizer, sério: o quê Regé-Jean faria, você sabe o que quero dizer? Nós demos a eles seu felizes para sempre! E agora temos esse próximo casal chegando. E então sim, eu fiquei tipo, uau!.”

Só estou trazendo este assunto a tona novamente (sim, eu também não aguento mais o tanto de bait que está rolando até hoje) porque a dona da porra toda também comentou. Esta que vos fala é uma fiel defensora do elenco de Bridgerton e acredito que Jonathan Bailey e Simone Ashley vão arrasar! Regé-Jean Page deu sua contribuição de maneira sublime e sim, nos deixou querendo mais, mas essa é a mágica de um bom ator. No caso, nunca foi descartada a possibilidade de que, em um futuro covid-free, ele possa fazer uma aparição. Mas a verdade é que a presença de Simon é um acessório nos livros/histórias de outros casais, podendo ser adicionada ou retirada conforme a disponibilidade do ator. E sabemos que se tem uma pessoa com agenda cheia, graças ao sucesso da série e do personagem, é Regé-Jean Page.

“É exatamente o tipo de história que gostamos de contar”

E falando sobre o sucesso de Bridgerton, Shonda comentou”estava prendendo a respiração” e que não sabia o que esperar. “Vamos continuar sendo alunos que obtiveram nota máxima?”, ressaltando que ela e Betsy estavam muito focadas no projeto da série, “sabíamos o que queríamos que fosse”.

Parece tão diferente porque é a Era Regencial e é [uma série] de figurinos. Mas, para nós, acho que a história é exatamente o tipo de história que gostamos de contar˜, afirmou Betsy Beers. ˜Quando Shonda descreveu o conceito da série de livros, parte do meu cérebro disse: Esta é tão obviamente uma série, porque a genialidade dessa mulher ter tantos filhos é que todos eles precisam se casar, e todos deveriam se casar por amor. A marca de algo delicioso, eu acho, é quando você não consegue ver o fim. Também há algo sobre contar uma história que tem aspectos incrivelmente modernos, mas em um período específico, o que torna estranhamente mais relaxante para muitas pessoas. É a realização de um desejo, mas ao mesmo tempo é sobre uma mulher descobrindo quem ela é˜, completou.

Shonda continuou no mesmo tom: ˜O que eu gostei foi a capacidade de explorar as coisas do ponto de vista de uma mulher. Eu queria que o olhar feminino que acontecia nos livros acontecesse na televisão. Mas ainda mais do que isso, o que foi legal podermos fazer na Netflix é contar uma história fechada. Aqui está esta temporada; aqui está um romance totalmente formado. [Na rede de televisão] você tem que pegar esse romance e esticá-lo pelo máximo de temporadas possível, e continuar inventando motivos pelos quais eles estão tendo um novo conflito”. E ainda bem, o único conflito aceitável em Bridgerton é sobre os homens cabeça duras que não querem casar com mulheres perfeitas (ou quase) ou sobre o Taco da Morte.

E sobre a renovação para tantas temporadas, elas comentaram sobre as dificuldades de se planejar algo com tanta antecedência. Provavelmente, a luz verde para outras temporadas se deve à necessidade de organizar a agenda de tantos atores diferentes, bem como as locações externas, por questões de custo e também de disponibilidade. Mas o ponto focal de Shonda e Betsy, no momento, é abrir caminho nas histórias dos personagens. “Para construir esse mundo, temporada após temporada, é preciso muita preparação. Em termos de desenvolvimento, é incrível porque você pode começar a plantar sinalizadores conforme avança”, disse Shonda.

Vem mais por aí

Isso significa que teremos todas as histórias dos Bridgertons? Aparentemente, sim! Shonda comentou até sobre Hyacinth: “Há oito Bridgertons. Então, quando você chegar à [pré-adolescente] Hyacinth – oh, meu Deus, ela já terá crescido. Obviamente, não vamos casar uma criança! – vamos crescer Hyacinth e você vai ver a história dela também”. Se a quarta temporada for sobre Colin e Penelope, a história terá dado um salto temporal, podendo abarcar mais de um personagem. Mas, a gente espera que até lá já tenham confirmado a quinta, sexta, sétima e oitava temporada!

Mas, falando sobre a segunda, a reportagem confirmou que eles começaram a gravar esta semana. Dois stories de pessoas ligadas à produção também nos levam a acreditar que Bridgerton já está gravando, provavelmente com alguns atores primeiro, para depois, quando a vacinação estiver ainda mais avançada, gravarem cenas maiores. E, no verão, a previsão é gravar as cenas externas. Resta saber se a produção vai visitar os locais que já conhecemos da primeira temporada ou se vão conseguir permissão para construir um set.

Muitos atores já estão se preparando, como Golda Roshevel, nossa Rainha Charlotte, e a fofíssima Charithra Chandran, que será Edwina Sharma (Sheffield nos livros). Enquanto isso, seguimos aguardando uma migalha qualquer, uma foto de claquete, de cachinhos de peruca, um lenço, qualquer coisa para acalmar o coração das fãs desesperadas.

Esse blog é parceiro da página Julia Quinn Brasil. Curta a página Julia Quinn Brasil no FacebookTwitter e Instagram para não perder nada!

Não se esqueça de curtir a página do Costurando o Verbo no Facebook e me siga no Twitter!

Não se esqueça de curtir a página do Costurando o Verbo no Facebook e me siga no Twitter!

Bridgerton confirma segunda temporada

Pode respirar aliviado! A Netflix finalmente confirmou o que todo mundo já sabia: Vai ter 2ª temporada de Bridgerton, sim!

E acredita que até email de Lady Whistledown recebi? Jamais imaginei ver esse nome na minha caixa de entrada, mas a Netflix realiza todos nossos sonhos. Veja abaixo a cartinha de LW:

Querido leitor,

As pessoas estão alvoroçadas com os últimos boatos, então é minha honra noticiar: Bridgerton retornará oficialmente para uma segunda temporada. Eu espero que você tenha guardado uma garrafa de licor para essa ocasião tão aprazível.

O elenco incomparável de Bridgerton irá retomar a produção no primeiro semestre de 2021. Esta autora foi informada por fonte confiável que Lorde Anthony Bridgerton pretende dominar a temporada social. Estarei com a minha caneta preparada para reportar toda e qualquer novidade dos acontecimentos românticos.

No entanto, querido leitor, antes de incendiar a seção de comentários e pedir mais detalhes sórdidos, não estou inclinada a revelar mais informações no momento. A paciência, no final das contas, é uma virtude. 

 Atenciosamente, 
Lady Whistledown

Primeira temporada de Bridgerton surpreende até fãs dos livros

Depois de 18 meses desde o ínicio das gravações até a estreia, os fãs de Bridgerton não poderiam estar mais felizes. Neste dia 25 de dezembro, Bridgerton chegou às telas da Netflix e decepcionou 0 pessoas. Ok, estou exagerando é claro, mas para mim, Manu, é impossível pensar em um grande defeito nessas 8 horas de cenas sensuais, engraçadas, de partir o coração e de prender a respiração. Vem comigo que o texto é longo, mas eu prometo que vai valer a pena!

Julia Quinn, a mãe das crianças – quer dizer, a autora dos livros – já havia dito que não era uma adaptação palavra por palavra (e frisou diversas vezes que não deveria ser, já que é um meio diferente), mas que o espírito Bridgerton dos livros estaria vivíssimo. E eu não poderia concordar mais. Em cada cena, cada fala, tudo exalava Bridgerton Energy! É claro que temos cenas – aquelas vitais, aquelas que mais queríamos ver – que acabam sendo praticamente ipsis literis o que está no livro, o que vejo principalmente como um mimo para os fãs. A quimica entre os protagonistas, Regé-Jean Page e Phoebe Dynevor (Simon e Daphne, respectivamente) é transcendental, ultrapassa a tela e eu duvido que não tenha arrepiado até a mais incrédula das fãs.

O produtor Chris Van Dusen sabia a joia que tinha em mãos, sabia o quanto esse nicho era mal explorado no audiovisual. E, na minha humilde opinião, ele pegou um material que já era incrível, tirou rebarbas, coloriu algumas partes cinzas, preencheu lacunas e nos entregou o melhor presente de Natal, com um laço dourado. Como alguém que perdeu as contas de quantas vezes já releu O Duque e Eu (duas vezes só nesses 18 meses), posso dizer com segurança que a série entrega toda a felicidade e a angústia do livro, todos os altos e baixos que tanto amamos na história, com a vantagem de dar profundidade para personagens que, no primeiro livro, eram apenas alegorias. Sem falar que a questão de termos aristocratas negros foi tratada de maneira muito interessante, não apenas um elenco color blind, mas o duque ser negro faz parte da história da Inglaterra naquele universo fictício.

O vídeo abaixo explica meu sentimento após terminar a série:

A trama de o Duque e Eu foi perfeita, até a tal cena foi tratada de uma maneira melhor, um pouco menos problemática e mais com o tom que acredito JQ quis dar ao livro 20 anos atrás (quando a conversa sobre consentimento masculino e entre casais era muito diferente. Se tem dúvidas, ouça o episódio do podcast Chá no Número 5 em que debatemos o assunto).

A cena foi trabalhada de uma maneira muito melhor e, para quem se decepcionou porque os produtores não a removeram, sinto informar, mas o acontecimento faz parte do desenvolvimento do casal. Não dá pra querer que mudem apenas o que nos convém, afinal, não é na nossa mão que está a caneta. Porém, eu achei muito bem construída e tirou o incomodo que ela me trazia mas sem anular o conflito e o debate. Ainda é uma quebra de confiança, ok, mas na série ficou bem claro que a intenção da Daphne era “chumbo trocado não dói”. Possívelmente, obra do belo trabalho da coordenadora de intimidade Lizzie Talbot. Aliás, o que dizer das 1001 cenas de intimidades? Realmente, não é uma série para assistir com a avó!

E os outros personagens? Destaque para Colin, Benedict (roubando a cena), Eloise e Penelope. Vou tentar abordar as questões sem spoiler, mas se você não assistiu tudo e está com medo de pegar alguma informação importante, pare por aqui.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Vi muitos comentários que criticaram algumas escolhas de Colin, mas acredito que essa seja a construção perfeita para o personagem se tornar mais irônico, com comentários ácidos. Vale lembrar que, na série, ele ainda não havia feito nenhuma viagem, enquanto no livro ele tinha acabado de voltar da Europa no primeiro baile. Possívelmente, o arco dele foi construído desta forma exatamente para mostrar a diferença de quando ele era apenas um garoto impulsivo pra um jovem adulto cínico. Já é possível ver essa diferença ao longo da temporada. Detalhe para quem já conhecia Luke Newton de outros carnavais: vocês vão amar o último episódio.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

O Benedict das telas se mostrou um personagem muito mais cativante do que o dos livros. Desculpem Benedict Stans, mas vocês vão concordar que Luke Thompson deu a profundidade e a confusão exata ao Bridgerton número 2. Todas as incertezas e inseguranças do segundo filho – que ficam mais evidentes em seu próprio livro – começam a ser desenhadas nesta temporada. Sua busca incessante por saber quem é além do Reserva nos dá outra dimensão e faz com que ele seja mais próximo do público. Não sei se irão mudar o arco dele em relação à Sophie, mas tenho certeza que nesta temporada ele está testando suas asas e gostos. E que gostos peculiares! Amei.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Eloise é realmente uma força da natureza (e a outra metade da moeda de Benedict! Eles tem a mesma energia, amei as cenas dos dois). É possível ver a inconformação com o papel que ela tem que ter na sociedade – sentimento esse que só se revela mesmo em seu próprio livro – e como isso faz com que ela seja até um pouco agressiva, possívelmente pela imaturidade. E o realmente incrível é como uma atriz de +30 consegue ser a perfeita garota protegida e ingênua, que ainda nem debutou (um banho de atuação de Claudia Jessie!) mas cheia de opiniões. Consigo ver um animal assustado e que, tal qual Lady Danbury disse, resolve se tornar a pessoa mais assustadora da sala. Vejo como uma defesa de alguém tremendo de medo de entrar em um mundo no qual sabe que se encaixa tanto quanto um elefante em uma fechadura.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Penelope, Penelope… Desde as gravações sabíamos que Nicola Coughlan era perfeita. Ao assistir os episódios, nos demos conta de o quanto ela nasceu para ser Penelope. E as próprias ações da personagem são tão condizente com o que sabemos dos livros que é incrível ter esse insight dela logo em 1813. Penelope não é uma inofensiva solteirona, como todo mundo teima em achar, muito menos uma desmiolada como Phillipa ou grosseira como Prudence (destaque para a atuação de Harriet Cairns e Bessie B Carter!). Penelope tem sua própria essência e que é muito bem trabalhada para os espectadores. Além de toda a linda história de Peneloise.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Não posso deixar de falar de Anthony. Eu não pensei que EUZINHA usaria tanto o famigerado “Vou Matá-lo” para o pai da frase. Mas foram inúmeras vezes que a vontade bateu. Porém, também acredito que a construção do personagem foi incrível, que Jonathan Bailey está excepcional, e até quando eu achei que a trama do personagem ia desandar…. fui redondamente enganada. Mal posso esperar pra ser surpreendida com a história dele, pois a construção do arco do personagem já está incrível, mostrando todo o peso do mundo de ser o primôgenito Bridgerton.

LIAM DANIEL/NETFLIX © 2020

Todo o núcleo Featherington é incomparável, muito menos escrachado do que fomos levadas a acreditar, mas igualmente incrível! Entendemos o porquê das mudanças nesta família e como cada uma delas deu o “tomperrro” necessário para dar aquele drama típico de Shondaland. E olha, definitivamente deu movimento pra série!

Violet Bridgerton, Rainha Charlotte e Lady Danbury: eu não sei nem o que dizer, só sentir. O poder emana delas de uma maneira que você só fica hipnotizado. Violet é aquele docinho de leite ninho com uma espinha de aço, capaz de colocar até o importante Visconde Bridgerton em seu devido lugar (mães né) e dar o corte direto sem o menor dó. Rainha Charlotte, eu te venero. Cada expressão, cada fala, até cheirando rapé (tipo de tabaco) ela rouba a cena. Bom, e Lady Danbury É PERFEITA. Não tem mais nada a dizer do que isso. E prepara, que tem bengalada! É com certeza o Show das Poderosas.

Outro núcleo legal, mas que queria que tivesse sido mais explorado foi o do boxe. Will Mondrich roubou o meu coração nas poucas vezes que apareceu em cena. Não julgo as decisões dele, mas estou curiosa pra saber as consequências de tais decisões.

Ainda poderia ficar aqui falando de todas as locações, quais lugares formam qual propriedade, como o interior da Casa Hastings em Londres, mas este texto já está deveras longo. Fica para a próxima!

Conta aí o que você achou dessa primeira temporada? Amou as mudanças? Odiou? Só podemos torcer e esperar que Netflix solte logo a confirmação oficial da segunda temporada, porque todo o fandom já sabe dos inúmeros rumores há meses. Já pode assistir tudo de novo?

Esse blog é parceiro da página Julia Quinn Brasil. Curta a página Julia Quinn Brasil no FacebookTwitter e Instagram para não perder nada!

Não se esqueça de curtir a página do Costurando o Verbo no Facebook e me siga no Twitter!

Não se esqueça de curtir a página do Costurando o Verbo no Facebook e me siga no Twitter!

Natal Bridgerton: Mistletoe

 Seguindo a série de curiosidades sobre o Natal, vamos falar sobre a decoração dos apaixonados: o visgo, ou mistletoe.

O visgo é uma planta perene, que fica com sua folhagem sempre verde. Ela inclusive dá frutos no inverno e esse pode ser um dos motivos pelos quais muitos a consideravam sagrada. Diversas culturas, romanos, celtas, escandinávos, tinham no visgo um presságio de boa sorte, nas mais variadas formas.

Continue reading “Natal Bridgerton: Mistletoe”