Buckingham Palace – Regencial no séc 21

Quanto mais eu pesquiso sobre o Período Regencial, mais eu percebo o quanto de ícones modernos foram moldados, criados ou construídos naquela época. E por incrível que pareça, o Buckingham Palace, casa da Rainha Elizabeth em Londres, é um desses casos. O prédio icônico, de fachada larga e hiper fotografado que conhecemos era BEM diferente estruturalmente. Pra começar, se chamava Buckingham HOUSE.

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Buckingham House por volta de 1819 – (créditos: William West/Royal  Collection)

Construída em 1703 pelo Duque de Buckingham, a casa foi posteriormente vendida ao Rei George III (pai do Príncipe Regente, lembram?) em 1761. O propósito era que a casa fosse uma residencia familiar para a Rainha Charlotte, apesar da corte continuar sendo no St. James Palace (Lembre-se que não era muito difícil que a esposa tivesse uma casa só para si. Vemos isso frequentemente nos romances). Tanto é que o lugar ficou conhecido como Queen`s House (Casa da Rainha) e, segundo o site do palácio, 14 dos 15 filhos do Rei nasceram ali. Sim, 15 filhos… Passaram até os Bridgertons!

O layout da casa do século 18 era bem diferente: um bloco central com duas alas menores nas laterais. Tudo mudou com a coroação de Prinny, “apelido” do príncipe regente, como George IV, em 1820. Ele resolveu reformar o lugar, transformando-o em uma segunda residencia, além de também ser a Casa da Rainha (mas, nesse caso, a Rainha Caroline, esposa de Prinny). Seu fiel escudeiro arquiteto John Nash entrou em cena e uma reforma orçada em 450 mil libras esterlinas foi aprovada pelo Parlamento (apesar da oferta inicial do governo ser de 150 mil libras).

Nash manteve o bloco principal, aumentando-o e o transformando nas Salas de Estado. Esses cômodos são praticamente os mesmos até hoje, tendo passado por pouquíssimas alterações, apenas atualizações estruturais. A decoração, inclusive, é bem marcada pela estética regencial. Os blocos laterais foram demolidos e reconstruídos numa escala maior e são basicamente os que vemos hoje. A estrutura final era semelhante a um U.

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Buckingham Palace (créditos: J.Woods/Royal Collection)

Entretanto, a peça principal nesse pátio imenso e queridinha de Prinny era um arco de mármore. Sim, é o Marble Arch, imenso e imponente que atualmente fica perto do Hyde Park, mas que na década de 1820 ficava bem ali onde hoje é o terraço mais famoso do mundo. Você provavelmente deve estar se perguntando como é que um arco daquele tamanho vai de um lugar pra o outro e por que alguém teria uma ideia dessas…

Pois, saiba que foi a Rainha Victoria e o Príncipe Albert que fizeram tal coisa. Aliás, vale destacar que quando George IV morreu, a obra já estava em quase 500 mil libras! John Nash foi imediatamente demitido pelo Duque de Wellington, primeiro-ministro na época, e todas as obras foram paradas. William IV, que sucedeu George IV, contratou Edward Blore para completar o serviço, mas não quis se mudar pra lá. Portanto, a “casa” ficou lá, prontinha e sem nenhum ocupante até que Alexandrina Victoria assumiu o trono em 1837.

Ela foi a primeira monarca a morar no Palácio de Buckingham e também a primeira a sair de lá para sua coroação em 1838. Desde então, todos os monarcas partem de Buckingham em direção à Abadia de Westminster para serem coroados.

E foi por causa de seu casamento com o Príncipe Albert que novas reformas foram encomendadas. O novo casal sentiu falta principalmente de um berçário para seus filhos e quartos extras para visitantes, além de um salão de baile para acomodar as festas que eles realizavam com frequência.  Então, a rainha comissionou novamente Blore para criar mais espaço. O arco foi removido e uma quarta ala foi criada: a do famoso balcão, formando o quadrado que conhecemos como Buckingham Palace. O gasto dessa nova ala, inclusive, foi pago com o dinheiro da venda do Brighton Pavillion, um “capricho ostensivo”, como era considerado na época comissionado por (quem mais?) George IV.

O revestimento do palácio era de mármore francês. Entretanto, as condições climáticas leia-se umidade de Londres foram deteriorando o material, que precisou ser trocado em 1913. Pedra Portland foi escolhida e as peças demoraram um ano para serem preparadas. A aplicação, no entanto, demorou apenas três meses – incluindo a remoção do revestimento anterior!

O palácio passou por diversas alterações e modernizações ao longo do tempo. A última e mais relevante do século passado aconteceu depois de um bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial. As bombas atingiram a Capela, localizada no lado Sul do prédio, e em seu lugar foi erguida uma galeria de arte, a Queen`s Gallery.

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Green Drawing Room 1843 – (Créditos: Douglas Morris/Royal Collection)

Depois de tantas reformas tira, põe, deixa ficar, o Palácio de Buckingham tem um total de 775 cômodos (OI?!), entre eles 19 Salas de Estado, 52 quartos Reais e de hóspedes, 188 quartos para a equipe que trabalha lá, 92 escritórios, 78 banheiros e sei lá quantas salas de estar, rs. Dizem que existe até um “Quarto dos Corgis”. Ah, e também dizem que o palácio é um dos menores (OI?!²) quando comparado com seus “irmãos” europeus. Queria eu ter uma casa pequena dessas…

A novidade é que, depois de aproximadamente 60 anos da última reforma, o Buckingham vai passar por uma modernização que visa sua preservação, afinal, tanto tempo sem nenhuma atualização expressiva não pode ser “saudável”. Com previsão de duração de dez anos, os trabalhos serão iniciados já em 2017. As primeiras alterações serão na parte elétrica, com novos geradores e a troca dos jurássicos cabos de eletricidade, a fim de evitar incêndios. Futuramente, serão trocados os aquecedores, painéis elétricos, sistema de cabeamentos, caixas d’águas e canos, bem como novas maneiras de melhorar a acessibilidade ao palácio.

Eu mesma só passei em frente e abracei uma pilastra. Vamos dar uma passeada por lá com a galeria de fotos? Algumas ilustrações incríveis são da Royal Collection e podemos ver cômodos que não são abertos ao público.

5 thoughts on “Buckingham Palace – Regencial no séc 21

  1. Muito legal!

    Mas… 775 cômodos? A rainha deve precisar andar o tempo todo com um mapa pra achar a cozinha, o banheiro, a porta da entrada… pelo menos eu precisaria.

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