As mulheres de Jane Austen

Hoje é Dia Internacional da Mulher e não dá pra falar dessa data sem lembrar das heroínas dos romances históricos – principalmente as de Jane Austen.

Em uma época na qual o casamento de conveniência era a regra e os sentimentos eram deixados de lado, em que a mulher devia guardar suas opiniões para si, ela ousou criar personagens que quebravam essas convenções.

Acima de tudo, o que mais gosto nas novelas de Austen é o clima de cumplicidade entre as personagens femininas (algumas exceções, claro) e o extremo respeito que permeia as relações amorosas no famoso final feliz. Os mocinhos querem as mocinhas por elas mesmas, não por um dote ou por serem as melhores “candidatas” (mesmo que eles demorem, sabe como é homem, rs).

Li um texto muito bom em inglês sobre as lições feministas de Austen que toda mulher do século 21 deve saber. Você pode acessar o texto e usar o Google Translate, dá certo ;). Abaixo, reproduzo os pontos que a autora Mariana Zepeda elencou (com comentários meus em itálico, pois não resisto):

Você não pode julgar outras mulheres pelas suas escolhas
1
Em Orgulho e Preconceito, Elizabeth Bennet fica revoltada quando sua melhor amiga, Charlotte Lucas, aceita o pedido de casamento do rídiculo sr. Colins. Tendo jurado só se casar por amor, ela fica desapontada que sua amiga escolheu um casamento de conveniência – e a julga duramente por isso. Entretanto, Charlotte é prática. Diferente da linda e espirituosa Elizabeth, ela não tem outras possibilidades matrimoniais e então decide que embarcar numa vida com o sr. Collins é a melhor escolha pra ela. Ver como a amiga cria uma vida feliz sob o mesmo teto que o sr. Collins força Elizabeth a admitir que ela nem sempre sabe o que é melhor – e que ela não tem direito de julgar outras mulheres por suas escolhas.

Nunca aceite menos do que você merece
2
Mesmo que a propriedade do pai de Elizabeth vá para as mãos do sr. Collins, deixando ela e suas irmãs sem dinheiro quando o sr. Bennet falecer, ela é firme em escolher com quem se casar – e casar por amor. Quando o rico mas não-tão-gracioso sr. Darcy propõe casamento, ela fica louca com as palavras dele. Darcy diz que, apesar da criação imperfeita e conexões familiares embaraçosas, ele a ama contra todo bom julgamento. Ela fica brava com razão! Ninguém, ela diz, nem mesmo o dono de Pemberley, tem permissão para fazê-la se sentir inferior – e que ela, como qualquer outra mulher, merece estar com alguém que respeite quem ela é e de onde veio. Charlotte e ela são mulheres diferentes e suas escolhas, por mais diferentes que sejam, refletem quem elas são e o que elas acreditam que vai trazer felicidade.

Você é responsável por buscar sua própria felicidade
3
Quando Lady Catherine de Bourgh, a tia controladora do sr. Darcy, chega que nem um furacão na casa dos Bennet e exige que Elizabeth recuse a proposta de casamento do sr. Darcy – porque os Bennets não se equiparam com os habitantes de Pemberley – Elizabeth não deixa que a figura ilustre a destrate. “Eu somente estou resolvida a agir dessa maneira porque, na minha opinião, constituirá na minha felicidade”, ela diz. Elizabeth bate numa tecla importante: a felicidade dela vem primeiro, não importa o tanto que alguém tente convencê-la do contrário. (TOMA)

Confiança, confiança, confiança!
4
De todas as personagens de Austen, Emma Woodhouse é talvez a mais “feminista” – ela é essencialmente a cabeça da família (o frágil e reclamão sr. Woodhouse é hilário, mas inútil), e ela escolhe renunciar ao casamento porque ela já possui uma boa posição na sociedade. Ela é cabeça-dura, confiante, independente e não deixa que o gênero interfira em sua posição como líder admirada em Highburry. (A confiança dela chega a irritar no começo do livro)

Aceite que você é um trabalho em andamento – e que isso é normal
5

Mas, Emma também é um pouco tirânica. Egoísta, cabeça-dura, mas bem intencionada, ela é uma heroína incrivelmente complexa. Quando tenta arrumar um marido para sua amiga Harriet, Emma falha miseravelmente, machucando profundamente os sentimentos de Harriet. Apesar da superconfiança, Emma nem sempre sabe o que é melhor – mas isso não significa que ela deixa de acreditar em si mesma; ela está completamente disposta a aceitar e corrigir seus erros para que possa fazer o certo por sua amiga.

Há um lugar especial no inferno…
6
…para mulheres que traem outras mulheres. Em Abadia de Northanger, Catherine Morland fica amiga de Isabella Thorpe, fazendo confidencias e falhando em ver que Isabella na verdade é uma manipuladora vaidosa disposta a casar com o pretendente “mais mais”. Catherine fica magoada e confusa quando a verdadeira face de Isabella aparece, mas ela é forte o bastante para cortar os laços com uma pessoa que simplesmente a estava usando para atingir seus objetivos torpes (sem piada com o nome, sério).

É necessário coragem para se impor para quem se ama, mas é um erro não fazê-lo
7
Em Persuasão, aos 19 anos Anne Elliot é massacrada pela pressão familiar sobre sua posição social e quebra seu noivado com o jovem oficial da marinha Frederich Wentworth. Quando eles seencontram novamente, alguns anos depois, Anne entende que os sentimentos que nutria por ele nunca sumiram. Mesmo que ela tenha razões sólidas para não casar com o oficial, a única coisa que Anne ganha é uma vida de infelicidade ao colocar as expectativas de sua família acima da própria necessidade e felicidade. Aos 26, Anne não aceita mais o destino que escolheu e finalmente se casa com o homem de sua vida.

Mesmo que tudo esteja contra você, siga seu coração
8
Em Mansfield Park, Fanny Price é criada com seus parentes ricos, os Bertrams. Apesar dela receber uma educação similar e ter alguns dos privilégios de seus primos, seus tios deixam bem claro que ela não é um deles. Ainda assim, Fanny se torna o orgulho e a alegria de seu tio ao receber uma proposta de casamento do rico e bem vestido Henry Crawford. Apesar de Fanny ter pouco poder, ela ainda assim se recusa a se dobrar perante a vontade de seu tio e aceitar se casar com um homem em que não confia. Se apoiando em suas convicções, Fanny atrai a ira e o ressentimento de seu tio, mas, no fim das contas encontra seu final feliz (e eu dei um grito bem de TOOOMA quando o livro chegou ao final).


Ainda acho que faltou Marianne e Elinor, de Razão e Sensibilidade, nessa lista. Elas também, apesar de se verem na pindaíba do dia pra noite, estão dispostas a se unirem para fazer o melhor que puderem pela família, protegendo uma a outra.

Ver exemplos de mulheres fortes e a desconstrução de muitas ideias em livros escritos há mais de 200 anos é sinal de que o mundo ainda não mudou tanto assim, mas que seguimos defendendo as ideias certas.

Se tem uma coisa que Jane Austen me ensinou é nunca se contentar com menos. Se até Lizzie Bennet dispensou o sr. Darcy porque ele era um idiota arrogante, acredite, você também pode!

Parabéns para todas nós e que cada vez mais mulheres se vejam donas de si e capazes de fazer seu próprio final feliz sem depender de ninguém!

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2 thoughts on “As mulheres de Jane Austen

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