A realização de um sonho: Londres

Quem me conhece sabe que sempre fui absurdamente louca pela Inglaterra. Por Londres, então, nem se fala. Não sei se é uma paixão herdada, já que minha mãe foi para lá quando era jovem e a ouvia falar da cidade e da cultura desde pequena. O fato é que é uma paixão muito real! 

Em outubro de 2015, saiu a notícia de que haveria uma peça de Harry Potter e eu, num momento de insanidade (o melhor da minha vida), comprei dois ingressos (uma resenha futuramente, prometo). A questão é que eu não tinha um centavo pra passagem, hospedagem e nada de nada! Então, lá fomos eu e meu namorado juntar dinheiro pra realizar o sonho de uma vida inteira.

Foi uma jornada de oito meses, onde vendemos geladinho e drinks na rua, trabalhos freelance, desistência de rolês com os amigos, viagens, baladas, etc. Pegamos dinheiro emprestado até, mas no fim deu certo e fomos rumo ao (meu) paraíso.

A cidade é incrível. Um dos maiores medos que eu tinha era de que as minhas expectativas fossem muito altas e eu me frustrasse. Por isso, há alguns anos eu já acompanho páginas no Facebook sobre a vida em Londres e tal, pra tirar um pouco do deslumbramento que uma fixação assim pode causar. Fui com a ideia de que nenhuma cidade no mundo é perfeita e que eu tinha que ter ciência de que uma megalópole sempre tem mais problemas.

Mas, olha, superou minhas expectativas (sou prolixa e ficou longo, sorry not sorry):

Clima
Chegamos lá no dia 28/6, comecinho de verão, mas o clima era MUITO primaveril. E inconstante. Se você acha que o clima em São Paulo muda muito, a-mi-ga, lá muda ainda mais. Em questão de minutos você vai de um sol maravilhoso e quentinho pra um vento cortante e logo depois uma garoa daquelas de agulha. Um caso foi que estávamos no Hyde Park, em uma margem do Lago Serpentine e estava um frio condenado. Atravessamos a ponte para ir para o outro lado do lago e tava um sol super gostoso.

Limpeza e conservação
A cidade é sim limpa. Nas áreas onde há mais turistas, tem mais lixo pelo chão. Mas tudo é bem conservado, de portões de parques a fachada de edifícios. Como Londres tem o rio Tâmisa e diversas pontes, todas elas possuem boias salva-vidas. E nas que reparamos, as boias estavam lá e claramente eram velhinhas. Não estava depredado, não tinham roubado a boia, nem nada do tipo.

Metrô
Esse tópico daria um post a parte, de tanto que me surpreendeu. O metrô é um pouco mais sujo que o daqui, com jornais nos parapeitos da janela e até uns saquinhos de salgadinho. Mas é UM MILHÃO de vezes melhor que o daqui, pois a nossa única vantagem parece que é ter metro limpo. Só as linhas do Tube são quase todas as nossas linhas de metrô e CPTM, dá pra acreditar? Não sei dizer em questão de escala, mas de qualquer forma, nosso metrô é risível e isso não precisa nem ir pra fora do país pra saber.

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Olha que coisa mais linda a esquerda livre!

E teve problema enquanto estávamos lá! Meu namorado estava assistindo ao noticiário um dia de manhã e a manchete era um trem quebrado na linha Central Line (que por acaso é a mais lotada e vermelha,rs, alguma semelhança com SP?). E rolaram atrasos e lotação, muita reclamação e tal.

Aliás, nós pegamos horário de pico! E em duas linhas que são famosas por serem as mais cheias: a Jubilee e a Northern (só perdem para a Central). Aí você imagina: muvuca, empurra empurra, sofrência – NÃO! Os trens estavam MUITO lotados sim. Claro que não no nosso padrão, mas estavam cheios como nunca vi em nenhum outro dia. E rolou Excuse me e I’m Sorry toda vez que alguém encostou na gente ou quando precisava sair. Quando o apito do trem soou, quem não conseguiu entrar fez o inimaginável para um paulistano: aguardou o próximo trem, que chegou pontualmente como estava escrito no painel. O que me leva ao próximo tópico.

dsc01090Pontualidade
A questão da pontualidade britânica? MUITO REAL! MESMO! Até os trens e os ônibus são altamente pontuais. Quando pegamos ônibus, no ponto tem uma placa com todos os horários que os ônibus de cada linha devem parar ali. E a única vez que não foi pontual, foi quando estávamos em Lewisham – um bairro na divisa entre as Zonas 2 e 3, onde nos hospedamos pela maior parte da viagem – pois estão construindo novas vias e outras mil obras por ali, ou seja, transito pouco é bobagem.

Nos trens, um painel avisa que o trem com destino a tal lugar chega em X minutos. Isso é uma coisa curiosa também: um mesmo trem de uma mesma linha tem terminais diferentes. Imagine, por exemplo, que a Linha 3-Vermelha fosse junto com a Linha Coral, da CPTM. Do Brás até Corinthians-Itaquera, os dois trens seguem paralelos, certo? Depois o da CPTM continua até Guaianazes e de lá até Estudantes. Se fosse no metro de Londres, os dois trens passariam na mesma plataforma, mas com milhares de indicações de que o destino final daquele trem é Guaianazes e não Itaquera, ou vice versa. No começo foi meio confuso de entender trens pra lugares diferentes passando na mesma plataforma, mas aí a ficha caiu,rs.

Trânsito
Uma loucura, muitos carros, ônibus, bicicleta, caminhão e tal. Mas sabe o que é a regra? Educação. Eles param pro pedestre atravessar! Olha o tipo de coisa que surpreende brasileiro hahaha Na verdade, uma coisa que surpreendeu muito foi uma placa de PEDESTRE, RESPEITE OS CICLISTAS E OS OUTROS CARROS. Porque lá o pedestre tem preferência, mas também tem que saber respeitar os outros veículos que circulam nas vias.

Ciclovia
Lá tem ciclovia pra todo lado, mas não tive coragem de me arriscar por causa da mão-inglesa. Se já estava bizarro até olhar pro lado certo antes de atravessar a rua, quem dirá saber se portar numa bike andando na nossa contramão? Só no Hyde Park mesmo e onde havia ciclovia completa, pois em alguns lugares era apenas uma faixa seguindo a guia, para que o motorista soubesse que ali há preferência para o ciclista.

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Ciclovia do Hyde Park, ao lado da Rotten Row

De forma geral, é possível perceber que eu, que nunca havia ido pra fora do Brasil, fiquei surpresa com coisas  básicas que deveriam ser o mínimo para uma vida confortável numa cidade grande. Ainda acredito que São Paulo chegue lá, só acho que vai demorar mais uns 500 anos se depender do nosso atual Governador, Prefeito e Sociedade retrógrada.

Bateu um desespero sem fim na hora de voltar pro Brasil e uma saudade doída dos dias que passei lá. Como disse, era começo de verão, foram dias bem amenos, uns dois de frio e uns dois de calorzão, mas assim como São Paulo, tem sempre que levar uma jaqueta e um guarda-chuva.

Não sei como encararia o inverno, todo mundo que conversei disse que é bem difícil e uma das coisas que fez minha mãe voltar mais cedo foi exatamente o frio extremo. Mas, sinceramente, eu até daria uma chance!

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