Run the World x Pon de Floor

 


A primeira musica você com certeza já ouviu. E a segunda? Eu não tinha ouvido até outro dia. E o que as duas tem em comum? O som.

Estava eu em casa assistindo MTV de madrugada quando começa um clipe bizarro, com a mesma batida de Run the World. Fiquei pensando, quem copiou quem?

A verdade é que ninguém copiou. Beyoncé comprou os direitos da musica para usar como sample no single RTW. E ficou muito legal. Na verdade, acho que ficou mais legal com a letra, dança e clipe de B do que com os autores. Confere aí o clipe, não é a coisa mais estranhamente bizarra para uma dança???

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Major Lazer “Pon De Floor” ft. Vybz Kartel and… por DowntownMusic

The Beatles

Como bem devem saber, sou uma apaixonada pelo quarteto de Liverpool. Na última semana, li uma minibiografia (se é que isso existe) sobre John Lennon. Gostei muito e fiquei triste em terminar de ler tão rápido. Mas aí fiquei pensando mil coisas (como era de se esperar da minha cabeça inquieta).

Os Beatles aconteceram há mais de 40 anos e ainda hoje fazem sucesso. Foram precursores da loucura, histeria, fanatismo e do amor de pessoas comuns por gênios da música. Claro que não podemos esquecer de Elvis, mas isso é outro assunto.

A questão que fiquei matutando foi a seguinte:

Os Beatles tinham corte de cabelo meio “tigela”, escovadinho, o tal moptop. Tal como o Bieber usa. Só que eles não eram muito zuados e nem chamados de gays coisas de baixo calão. Claro, eles eram os Beatles e o penteado era moda!
Eles eram uma banda só de homens, usavam roupas iguais, cabelos iguais, cantavam juntinhos e faziam trejeitos ao cantar. Mas ninguém falavam que eles eram uma boyband. Claro, eles eram os Beatles e o talento aflorava deles.

John, Paul, George e Ringo começaram usando tudo isso que já citei acima, fazendo deles uma coisa meio uniforme, bonitinha esteticamente, ou seja, vendável. Mas ninguém os chamava de vendidos e burros, porque eles realmente tinham muito talento.

Apesar de no início serem muito iguais esteticamente, cada um tinha uma personalidade completamente diferente do outro e essa pluralidade é o que fazia dessa banda uma coisa sem igual.  E conforme os anos passaram essas diferenças foram exteriorizadas.

Por favor, não me entendam mal. AMO Beatles. Mas fiz essa comparação e avaliação para ver que se o mundo musical hoje é o que é (mesmo sendo um lixo a maioria das vezes) nós temos que olhar para trás para entender o que acontece.

É a velha história do nada se cria, tudo se copia. E se hoje há filas e mais filas, se o povo grita, se os artistas tentam inovar (copiando o passado, uau ¬¬), e se há essa indústria cultural ridícula, é pq alguém fez algo que deu certo, mas que hoje em dia é deturpado em prol apenas do dinheiro, esquecendo da boa música.

Há hereges quem diga que os Beatles não eram nada. Que Elvis era um e fez a mesma coisa. Que eles eram bundões os bons mocinhos e que os fodões maus eram os Rolling Stones. E daí? Eles não foram só isso. Eles deram voz a uma geração, deram cara a um pessoal que estava cansado de não ter nada, entreteram e levaram alegria para moças descontroladas e expressão para rapazes apaixonados.

Éissaeee

Filhos do Brasil

Semana passada fui assistir a um espetáculo de tirar o fôlego. Algumas amigas costumam dizer que tenho gosto de velha, mas o musical Filhos do Brasil de Oswaldo Montenegro não tem idade. Cara, que coisa maravilhosa! Eles falam de uma forma tão “brasileira” que você sai da casa de espetáculo pasmo, pensando “caramba, eu imaginei que era outra coisa”.

E de verdade, AMO Oswaldo Montenegro, mas pensei que esse espetáculo ia ser uma coisa mais apelativa, falando de pobreza, sofrimento etc. Mas com muita dança (MUITA MESMO), muita música, percussão, muita voz – e que voz- e um time de artistas pra lá de talentosos. Nem preciso dizer que ri muito e até me emocionei.

Mas o mais legal de todo o musical é como eles souberam retratar o brasileiro. Porque somos uma nação, mas tão diferentes entre si que fica difícil pensar que o mesmo nordestino, o amazonense, o mato-grossense, o mineiro, o carioca e o paulista sejam tudo a mesma coisa. É um erro grotesco colocar todo mundo no mesmo balaio.
Aliás, a perfeição e comicidade com que retrataram os paulistanos foi muito engraçada! Um momento antes, houve uma disputa de repente, aquelas musicas rimadas que um repentista “tira” com a cara do outro, e arrancou grandes sorrisos e aplausos da platéia. Logo a seguir, Madalena Salles anuncia que  não há repentistas só no nordeste. São Paulo também tem seus representantes. E aí aparecem os “manos”. Com um rap divertido e enrolado, até minha mãe, que não é uma das maiores fãs do gênero, deu boas risadas.

A coreografia espetacular costurava as cenas, casando-se perfeitamente com a música e o ambiente. Dança contemporânea, gingados de capoeira e de giras de umbanda (ou candomblé, não sei) misturavam-se até com samba e forró. Foi lindo!

Outro ponto a ser dito é que souberam abordar de forma sutil, mas inteligente a questão religiosa do Brasil. Todas religiões muito bem representadas, muito bem apresentadas também. Nada ofensivo, nada partidário. Mostrando o povo brasileiro como ele é, um povo de fé.

Saí do Citibank Hall com uma sensação tão boa, pois há tempos não me divertia assim com minha mãe. E apesar de o espetáculo me lembrar muito de uma pessoa que fez parte da minha vida, deixou uma marca em minha memória, pois a voz daquele homem é surreal. Juro que dá vontade de ficar ouvindo ele cantar o tempo todo, não importa o que!

Filhos do Brasil somos eu, você, minha mãe, o menino potiguar, o nordestino, o carioca, o mineirin, e quem mais estiver por aí. A única resalva que tenho a fazer é que senti falta de um tipo de brasileiro: o gaúcho. Mas em geral, o espetáculo foi realmente espetacular!

Imagine

“Imagine All the people”… Imagine se todas as pessoas tivessem a oportunidade de ouvir e conhecer a música de John Lennon , o mundo não seria melhor? Ou imagine se aqueles disparos não tivessem acontecido, e hoje nós tivessemos ainda a presença ilustre desse homem? Ah, que mundo lindo nós teriamos.

Mas eu acredito,  parafraseando minha mãe, que esses tipos de cantores, os gênios, não qualquer bom cantor, esses caras são anjos que Deus manda para alegrar, para conscientizar o mundo, para trazer cultura às massas e para ficar na memória de quem nem era nascido naquela época.

Eu sou grata, eternamente, por minha mãe ter me apresentado os Beatles, mesmo que timidamente. Ela sempre foi muito livre com meus gostos musicais e nunca me impôs ouvir algo.  Mas ao ouvir as histórias dela, acabei criando curiosidade. E quando você conhece de um assunto, mesmo que nem sonhasse em nascer naquela época, compartilha da mesma dor das pessoas que ouviram no rádio, que leram nos jornais a noticia de que John Lennon tinha sido baleado.

Essa semana li na revista Época uma matéria muito interessante sobre Lennon, falando da atemporalidade de suas músicas e de seu legado. Espetacular, e nos faz mesmo imaginar, se ele estivesse aqui hoje seria um ativista, continuaria compondo, ou o que mais pudesse acontecer. Mas já seria bom se ele estivesse aqui hoje.